sexta-feira, 31 de julho de 2015

Sítio próximo à cidade de Šiauliai possui cerca de 200 mil crucifixos e atrai milhares de fiéis, que depositam mais cruzes para atrair sorte e proteção

Viajar mexe com o imaginário das pessoas. Normalmente, a escolha dos turistas é por lugares agradáveis, com opções de passeio que os mantenham entretidos e relaxados, como cidades multiculturais e ilhas paradisíacas. No entanto, ao redor do globo, muitos viajantes optam por regiões com atrações curiosas, que prendem o visitante com histórias inusitadas e até mesmo assustadoras.

Por isso, lugares que dão adrenalina estão entre os destinos preferidos dos mais corajosos. E não somente os parques de diversões, com brinquedos incomuns e ultramodernos. O "turismo do medo" é a causa pelo qual lugares como ilhas fantasmas, teatros assombrados e territórios abandonados entram em inúmeras rotas turísticas.

À primeira impressão, a Colina das Cruzes, na Lituânia, é um desses lugares que causam frio na espinha. Localizada a cerca de 15 quilômetros da cidade de Šiauliai, no norte do país, o sítio apresenta quase 200 mil cruzes de diferentes formatos e tamanhos, deixados por fiéis dos mais diversos locais do mundo. A inusitada atração - que remete a um cemitério - atrai diversos casais que, no dia do casamento, levam um crucifixo para se juntar aos milhares. Eles acreditam que o ritual dá sorte e pedem proteção divina para a nova família. Estranho ou não, o sítio passou a ser um lugar de peregrinação e devoção cristã, apelidado de "A Meca da Lituânia".

A origem ainda é um mistério. Reza a lenda que, há muitos séculos, existia uma catedral na região, fato que não é comprovado. Há indícios de que as primeiras cruzes tenham sido colocadas por lituanos no século 14, como forma de reagir à opressão dos Cavaleiros Teutônicos.

Sobrevivência ao regime soviético
Lituânia: Colina das Cruzes é atração no país


No século 19, inúmeras batalhas entre a Rússia e a Lituânia ocasionaram em milhares de mortes de soldados locais. Com a ausência de corpos, muitas famílias passaram a utilizar a colina para realizar sepultamentos simbólicos. Em 1895, cerca de 200 cruzes já haviam sido colocadas na região, que passou a ser um símbolo da paz e da vontade de libertação do país.

O curioso é que o sítio sobreviveu ao regime comunista do século 20. A Colina das Cruzes chegou a ser destruída pelo governo soviético em três ocasiões, em 1962, 1973 e 1975. Pouco adiantava. Alguns dias depois, os crucifixos voltavam a aparecer.

Boatos afirmam de que desde 1985 não houve mais represálias ao local. No entanto, apenas em 1990, com a independência da Lituânia, o outeiro passou a ser reconhecido como um símbolo para o país. O ápice ocorreu em 1993, quando o Papa João Paulo II visitou e abençoou o monte. Desde então, a colina se tornou um lugar sagrado, alvo de peregrinos, fiéis e casais, que realizam seus matrimônios em meio à multidão de crucifixos

Qualquer pessoa pode fincar uma cruz na região. Não há distinção de tamanho, cor ou valor dos objetos. Hoje em dia, calcula-se mais de 200 mil acessórios no sítio - não só cruzes, mas também estátuas, placas, esculturas, terços e muitos outros utensílios religiosos. A entrada é gratuita. O local possui estacionamentos a preços acessíveis e diversas barracas que vendem artigos religiosos.

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